quinta-feira, 25 de abril de 2013

VIGÊNCIA DA VERDADE ABSOLUTA

Verdade; inegavelmente defendemos uma ou mais, somos culturalmente comprometidos com elas e por vezes destruímos mundo e vida por essa estrita relação, ou simplesmente nos travestimos com as nossas verdades absolutas.

A humanidade em geral segue a dita verdade, no entanto a ironia fica por conta de ela não ser unânime. Lançando mão do ponto de vista lógico, varia do observador.

A todo momento conflitamos ideais, e por mais que queiramos vender uma imagem de sujeito altruísta, sempre uma faceta do desacordo sobrepuja, seja no pausado “mas”, no “viu...” como cama de gato, ou naquela fração de segundo onde elencamos todos os nossos princípios a fim de alinhar a ideia, e por conveniência bestuntamos uma possibilidade de aceitação. Inegavelmente somos assim, não há quem concorde frenetica e mutuamente, e além, sempre. Conjeturo como mecanismo de impedimento para anulação existencial, sendo essência do conjunto de elementos que nos singularizam; como instinto humano, parte da natureza humana.

Fica muito fácil assumir – e extremamente desconfortável para muitos – se recordarmos da nossa infância, onde por vezes defendíamos os ofícios dos nossos pais e mães como os mais legais e nobres de todos, e hoje por uma sequência de evidências e esclarecimentos não vemos mais isso como uma verdade absoluta. Para validar as comparações e isolar a ideia de uma suposta inocência - comum entre muitos na infância -, vamos recordar de como hasteávamos a bandeira que defendia a nossa última turma do ensino médio como a mais temível entre todas que estudaram ou estudariam naquela escola, ou ainda como defendíamos que nada seria capaz de distanciar as amizades dos nossos colegas de sala, companheiros de sempre; mas por uma sequência de eventos, nos distanciamos.

Somos assim, acreditamos. E talvez essa possa ser uma distinção que vale a pena exercitar: verdade e crença, facilmente as confundimos, e impotentemente temos meios eficazes para dar propriedade à elas. A prova tangível é a sobreposição da ciência para consigo; os elementos que evidenciam uma suposta verdade sempre podem apontar outra hipótese e definir um novo aspecto se rearranjados e/ou acrescido de novos elementos e/ou intervenções.

A ciência – sendo atualmente, o modelo mais aceito de verdade –, assim como os métodos menos sofisticados de mensuração, ditos empíricos, recebem intervenções compulsoriamente; e de maneira vaidosa nós, seres ditos conscientes, estranhamente não apreciamos essa condição – por mera conveniência –, ainda temos a capacidade de não autentica-la como essência do nosso processo de existência.

Ou seja, somos conscientes o suficiente para entender que em tudo se aplica a possível metamorfose de valores, mas pouco exercitamos essa nossa capacidade, esse nosso domínio da consciência. Aceitamos com facilidade a percepção dos cinco sentidos, e solidificamos tudo cegamente à -273,15°C.

Nesse sentido, pouco importa a premissa para a compreensão do que queira se definir por verdade. O que se faz relevante é aceitar que a verdade jamais será a que acreditamos, sempre estaremos presos às crenças – cada um à sua maneira –, não importa o espaço-tempo necessário, o que acreditamos ser verdade sempre se transmutará, inevitavelmente.

A verdade da vida pode se tornar evidente na constante descoberta, ou simplesmente não.

Um comentário:

  1. Ah, como são relativas, limitadas e influenciáveis nossas "verdades absolutas". Sempre viveremos sob o embate do que é transitório e o que é definitivo. Mas do que é feito a vida humana? Qual realmente a essência do viver?

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