Comumente nos
pegamos frustrados com o comportamento alheio e consequentemente estabelecendo padrões
à estes. É um hábito muito presente no ser humano contemporâneo, no entanto
raramente assumimos essa nossa condição latente de constantes julgadores do
constante erro alheio.
Partindo dessa
suposta afirmação, se faz necessário elencar os nossos próprios padrões comportamentais
para que, como de hábito, continuemos a arranjar e rearranjar nossas incansáveis
comparações. Sobretudo, acredito válido primar nossas possibilidades de sobrevivência
no meio; nesse caso, nossas possibilidades de justificativa diante do erro.
Claramente o indivíduo contemporâneo cresce com essas raízes, com essa profunda
habilidade de justificar o suposto erro, e é sim, inegavelmente é uma forma de
sobreviver, somos assim, é da nossa natureza. Contudo, o que se torna
preocupante é a periodicidade na qual utilizamo-nos desses poderoso artifício,
pois ele é coerentemente conveniente e consequentemente perturbadora.
Nesse sentido,
tentando aproximar-se da lógica racional – ora conveniente, ora não – interpreta-se
que a regularidade do uso da justificativa, seja ela bem elaborada ou não,
indica de forma lúcida o grau de destreza do indivíduo, mas também é onde pode-se
apontar significativamente o grau de instabilidade sensorial desse indivíduo.
Não haveriam grandes preocupações quanto à isso se essa condição fosse
meramente individual, mas mais que lógico, o individual categoricamente
interfere no coletivo, no plural, no meio, e nesse caso de uma maneira extremamente
profunda, pois se trata de uma intervenção direta, totalmente expressa.
Primada essa
vertente de observação e conscientemente a rebuscando, temos chances de
sofisticar nossos métodos de sempre de comparação, possibilitando assim, para nós
mesmos essa chance merecida que damos a qualquer indivíduo de qualquer espécie que
nos aproxima, essa chance de ser avaliado gratuitamente e com os métodos mais
convenientes. Dar-nos-emos essa chance de ser julgados lucidamente por nós
mesmos?
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