quarta-feira, 10 de julho de 2013

LIMIAR ÉTICO

Comumente nos pegamos frustrados com o comportamento alheio e consequentemente estabelecendo padrões à estes. É um hábito muito presente no ser humano contemporâneo, no entanto raramente assumimos essa nossa condição latente de constantes julgadores do constante erro alheio.

Partindo dessa suposta afirmação, se faz necessário elencar os nossos próprios padrões comportamentais para que, como de hábito, continuemos a arranjar e rearranjar nossas incansáveis comparações. Sobretudo, acredito válido primar nossas possibilidades de sobrevivência no meio; nesse caso, nossas possibilidades de justificativa diante do erro. Claramente o indivíduo contemporâneo cresce com essas raízes, com essa profunda habilidade de justificar o suposto erro, e é sim, inegavelmente é uma forma de sobreviver, somos assim, é da nossa natureza. Contudo, o que se torna preocupante é a periodicidade na qual utilizamo-nos desses poderoso artifício, pois ele é coerentemente conveniente e consequentemente perturbadora.

Nesse sentido, tentando aproximar-se da lógica racional – ora conveniente, ora não – interpreta-se que a regularidade do uso da justificativa, seja ela bem elaborada ou não, indica de forma lúcida o grau de destreza do indivíduo, mas também é onde pode-se apontar significativamente o grau de instabilidade sensorial desse indivíduo. Não haveriam grandes preocupações quanto à isso se essa condição fosse meramente individual, mas mais que lógico, o individual categoricamente interfere no coletivo, no plural, no meio, e nesse caso de uma maneira extremamente profunda, pois se trata de uma intervenção direta, totalmente expressa.

Primada essa vertente de observação e conscientemente a rebuscando, temos chances de sofisticar nossos métodos de sempre de comparação, possibilitando assim, para nós mesmos essa chance merecida que damos a qualquer indivíduo de qualquer espécie que nos aproxima, essa chance de ser avaliado gratuitamente e com os métodos mais convenientes. Dar-nos-emos essa chance de ser julgados lucidamente por nós mesmos?

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