segunda-feira, 15 de abril de 2013

PORÇÕES


Satisfação, para muitos uma cobiça diária e conquistada sempre transpassando extenuantes obstáculos, para outros uma latente e tímida condição de merecimento, outros ainda vêm como essência fundamental resultante de determinada sentença ou ainda, corriqueira degustação de prazeres fisiológicos e/ou biológicos.

Em suma, fica impossível conceituar o que afinal é satisfação, pois se trata de uma condição extremamente peculiar do ser humano, podendo até ser visto como uma das principais características que nos individualizam. Embora sejamos todos predisposto a interagir com o que se defina por satisfação, seus afins e derivados, jamais poderíamos defini-la, mas podemos sim compreender como ela se manifesta, quais fatores a determinam, como ela garante as nossas futuras ações no espaço-tempo e como a manipulamos.

Afirmar é sempre muito delicado, mas se tratando de satisfação, é possível conjeturar que essa condição está ligada à todas as nossas ações diretas e principalmente, indiretas. Partindo dessa premissa e livre de qualquer variável, a satisfação é determinante no que diz respeito aos interesses humanos, sejam vistos como coletivos ou não. Por muitas vezes, entrevemo-nos em situações que jamais condizer iam com os nossos reais desejos, com fatores que nos contentariam de maneira minimamente relevante, mas por providência, nos sujeitamos. Não existe nada de errado em agirmos assim, pois nada mais é a adaptação indispensável que dispomos para interagir com esse meio. No entanto, acredito que seja preocupante o período em que nos sujeitamos ao que nos desagrada em relação ao que nos agrada. Sim, existem situações inescapáveis, situações obrigatórias; mas se comparadas com as situações não-obrigatórias de insatisfação, chegam a ser raras. Focados nessas situações não-obrigatórias de descontentamento, podemos compreendê-las com situações previsíveis e num sentido lógico, evitáveis.

Por mais paradoxal que seja, ao aproximar essa reflexão à versão mais consciente do nossos atos, podemos com certa autonomia, compreender se o nosso tipo satisfação está vinculado à pequena parcela de satisfação que usufruímos em um meio que mais nos insatisfaz do que nos agrada, onde essa dita satisfação ganha caráter de efeito prazeroso por mera casualidade de uma sequência dramática de eventos que a evidencia; podemos ainda, por meio desse viés, elencar o que pode ser paulatina ou abruptamente modificado para que esses graus de satisfação se superem na intensidade e na periodicidade; podemos flexionar os nossos interesses e dos demais que dividem esse meio conosco, podendo exercitar essa condição com uma consciência mais elevada e mais protegida de frustração; e ainda manipular todas essas condições com o mínimo possível de prejuízo. Ou não.

A discussão desse tema sempre será imprecisa, jamais poder-se-á estabelecer paradigmas nesse campo, mas vale o exercício. Sempre vale exercitar.

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