Satisfação,
para muitos uma cobiça diária e conquistada sempre transpassando extenuantes
obstáculos, para outros uma latente e tímida condição de merecimento, outros
ainda vêm como essência fundamental resultante de determinada sentença ou
ainda, corriqueira degustação de prazeres fisiológicos e/ou biológicos.
Em suma, fica
impossível conceituar o que afinal é satisfação, pois se trata de uma condição
extremamente peculiar do ser humano, podendo até ser visto como uma das
principais características que nos individualizam. Embora sejamos todos
predisposto a interagir com o que se defina por satisfação, seus afins e
derivados, jamais poderíamos defini-la, mas podemos sim compreender como ela se
manifesta, quais fatores a determinam, como ela garante as nossas futuras ações
no espaço-tempo e como a manipulamos.
Afirmar é
sempre muito delicado, mas se tratando de satisfação, é possível conjeturar que
essa condição está ligada à todas as nossas ações diretas e principalmente,
indiretas. Partindo dessa premissa e livre de qualquer variável, a satisfação é
determinante no que diz respeito aos interesses humanos, sejam vistos como
coletivos ou não. Por muitas vezes, entrevemo-nos em situações que jamais condizer
iam com os nossos reais desejos, com fatores que nos contentariam de maneira
minimamente relevante, mas por providência, nos sujeitamos. Não existe nada de
errado em agirmos assim, pois nada mais é a adaptação indispensável que
dispomos para interagir com esse meio. No entanto, acredito que seja
preocupante o período em que nos sujeitamos ao que nos desagrada em relação ao
que nos agrada. Sim, existem situações inescapáveis, situações obrigatórias;
mas se comparadas com as situações não-obrigatórias de insatisfação, chegam a
ser raras. Focados nessas situações não-obrigatórias de descontentamento, podemos
compreendê-las com situações previsíveis e num sentido lógico, evitáveis.
Por mais
paradoxal que seja, ao aproximar essa reflexão à versão mais consciente do nossos
atos, podemos com certa autonomia, compreender se o nosso tipo satisfação está vinculado
à pequena parcela de satisfação que usufruímos em um meio que mais nos insatisfaz
do que nos agrada, onde essa dita satisfação ganha caráter de efeito prazeroso
por mera casualidade de uma sequência dramática de eventos que a evidencia; podemos
ainda, por meio desse viés, elencar o que pode ser paulatina ou abruptamente
modificado para que esses graus de satisfação se superem na intensidade e na periodicidade; podemos flexionar os nossos interesses e dos demais que dividem esse meio conosco, podendo
exercitar essa condição com uma consciência mais elevada e mais protegida de
frustração; e ainda manipular todas essas condições com o mínimo possível de
prejuízo. Ou não.
A discussão
desse tema sempre será imprecisa, jamais poder-se-á estabelecer paradigmas
nesse campo, mas vale o exercício. Sempre vale exercitar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário