Atualmente, o
discurso que defende a ideia de que os interesses do ser humano estão cada vez
mais convergindo para o domínio de posses a qualquer custo, é um dos mais
presentes nos meios de comunicação, seja esse discurso pincelado com as meias
palavras do jornalismo omisso ou por meio das bravatas indignadas dos ditos
livres de ambição.
Mas a grande
ironia fica por conta da queixa arbitrária e conveniente, onde somente rola
manifestação se surgem incomodados validando os indivíduos causadores como réus
primários de um crime novo, e esses sujeitos incomodados ainda defendem sua
causa acreditando que a represália é inovadora e revolucionária. A cronologia
da história de relação do ser humano denuncia que o desejo de posse em todas as
suas frações, sem exceção. Ou seja, ONDE ESTÁ A NOVIDADE?
A natureza do
ser humano inclina-o a manter garantias de sobrevivência, seja observado no que
se refere ao ciclo de reprodução, gasto ou ganho de energia, bem-estar, entre
demais providências corriqueiras. Nesse sentido, sem exceção, todos desejamos
certas garantias. Contudo, por mais que sejamos predispostos a manter
determinadas certezas, somos assimétricos na forma de interpretar e reagir, e
acidentalmente estabelecemos limiares diferentes para essas garantias.
Porém, como
tudo na vida, a garantia também tem vigência e logicamente fim. Pensar assim
frustra, mas também liberta. Interpretar racionalmente que certas garantias
estão passivas de acabarem a qualquer momento e ter consciência de que os demais
indivíduos do seu meio também agem movidos por esse mesmo desejo, nada mais é
que o exercício de desmistificar as crenças que nos foram inseridas há décadas e
se abdicar de tudo isso. Como o período de vigência de garantias, a nossa vida
também tem seu período de existência. Cabe a nós determinarmos as nossas
prioridades e arriscar entender se de fatos as prioridades que defendemos com
unhas e dentes, são o que idealizamos como prioridade.
Ainda valer
lembrar que o ser humano é uma criatura que se confunde facilmente e tem
chances muito acessíveis de retificar todo tipo de ação não aceita, o que o
torna - numa ótica metódica - um sujeito extremamente conveniente, e por mais
coletiva, nobre e cabível que seja a sua intenção, a gênese da sua razão sempre
e assumidamente será o egoísmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário