quarta-feira, 17 de abril de 2013

PROCRASTINAÇÃO DA HARMONIA


Harmonia, podemos encará-la como o sincronismo de elementos que nos proporcionam uma condição ideal e ainda arriscar interpretar – segundo os nossos modelos ideais e individuais - como equilíbrio entre todos os meios que interagimos.

Os atuais modelos de rotina se mostram cada vez mais robustos e dinâmicos na cidades mais populosas, seja pela incansável série de eventualidades que nos surgem à frente, pelo próprio rendimento do tempo, entre demais fatores circulantes. Ou seja, a probabilidade de todos os semáforos que transpassarmos estarem no verde, chegarmos junto com a condução no ponto - seja ela o ônibus ou o trem – e ao embarcarmos nos depararmos com opções de lugar onde haja sombra ou não e apreciarmos apenas o barulho dos motores, chegarmos ao banco e todos os caixas estarem funcionando e um estar livre só para você, assim como entrar no supermercado às dezoito, encontrar de prontidão tudo o que você anotou na sua listinha e ao se dirigir com o carrinho para os caixas poder escolher a caixa que tem a cara mais simpática, caminhar na rua principal do centro da cidade sem ter que reduzir a velocidade dos passos por conta dum casal de mãos dadas o bloqueando, usarmos incansavelmente todas as funções do smartphone o dia todo e ainda sobrar pouco menos da metade da bateria para darmos aquela última navegada antes de dormir e colocá-lo para carregar, é próxima de zero. Somos inevitavelmente alvejados por acidentes de previsão, e consequentemente, por vezes, frustrados.

Ainda nos frustramos por eventualidades que destroem nossos planos, e de forma redundante, assumimos o papel de revoltados sem consciência do esperado.

 É mais grave e preocupante do que se imagina; cometemos os mesmo enganos de forma consciente por ainda depositar esperança em apenas uma única saída e pouco nos preocupamos em acreditar no nosso potencial criativo e transformador. Isso mesmo, temos um tremendo potencial de criação. Ao mesmo tempo que criamos determinadas chances de pensamento - ou para os radicais -, determinadas ilusões, também temos chances de criarmos saídas alternativas, mas por mero costume, mero hábito, ainda transcorremos o período de lamento e todos os mesmos processos pós-decepção, como se fosse um período que garantisse sucesso da saída alternativa ideal, mas pelo contrário, é assumidamente um período que deprime as nossas energias e retardada a lucidez dos fatos. Nos damos a competência de lamentar, mas não nos damos o direito de atropelar a frustação e nos atentar às evidências que nos impedem de enxergar as saídas possíveis. Ou seja, adiamos a harmonia que idealizamos, e da maneira mais culposa o possível, adiamos por conveniência e pouco nos importamos em exercitar nossa consciência, nossa lucidez criadora. Visto no sentido prático, deixamos de otimizar o tempo. Nos procrastinamos. Forçadamente.

Vale o exercício. Não pensar duas vezes, mas pensar minimamente com a consciência. O treino aprimora, cada um no seu tempo, sempre aprimora.

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