Harmonia,
podemos encará-la como o sincronismo de elementos que nos proporcionam uma
condição ideal e ainda arriscar interpretar – segundo os nossos modelos ideais
e individuais - como equilíbrio entre todos os meios que interagimos.
Os atuais
modelos de rotina se mostram cada vez mais robustos e dinâmicos na cidades mais
populosas, seja pela incansável série de eventualidades que nos surgem à
frente, pelo próprio rendimento do tempo, entre demais fatores circulantes. Ou
seja, a probabilidade de todos os semáforos que transpassarmos estarem no
verde, chegarmos junto com a condução no ponto - seja ela o ônibus ou o trem –
e ao embarcarmos nos depararmos com opções de lugar onde haja sombra ou não e
apreciarmos apenas o barulho dos motores, chegarmos ao banco e todos os caixas
estarem funcionando e um estar livre só para você, assim como entrar no
supermercado às dezoito, encontrar de prontidão tudo o que você anotou na sua
listinha e ao se dirigir com o carrinho para os caixas poder escolher a caixa
que tem a cara mais simpática, caminhar na rua principal do centro da cidade
sem ter que reduzir a velocidade dos passos por conta dum casal de mãos dadas o
bloqueando, usarmos incansavelmente todas as funções do smartphone o dia todo e
ainda sobrar pouco menos da metade da bateria para darmos aquela última
navegada antes de dormir e colocá-lo para carregar, é próxima de zero. Somos
inevitavelmente alvejados por acidentes de previsão, e consequentemente, por
vezes, frustrados.
Ainda nos
frustramos por eventualidades que destroem nossos planos, e de forma redundante,
assumimos o papel de revoltados sem consciência do esperado.
É mais grave e preocupante do que se imagina;
cometemos os mesmo enganos de forma consciente por ainda depositar esperança em
apenas uma única saída e pouco nos preocupamos em acreditar no nosso potencial
criativo e transformador. Isso mesmo, temos um tremendo potencial de criação.
Ao mesmo tempo que criamos determinadas chances de pensamento - ou para os
radicais -, determinadas ilusões, também temos chances de criarmos saídas alternativas,
mas por mero costume, mero hábito, ainda transcorremos o período de lamento e
todos os mesmos processos pós-decepção, como se fosse um período que garantisse
sucesso da saída alternativa ideal, mas pelo contrário, é assumidamente um período
que deprime as nossas energias e retardada a lucidez dos fatos. Nos damos a competência
de lamentar, mas não nos damos o direito de atropelar a frustação e nos atentar
às evidências que nos impedem de enxergar as saídas possíveis. Ou seja, adiamos
a harmonia que idealizamos, e da maneira mais culposa o possível, adiamos por conveniência
e pouco nos importamos em exercitar nossa consciência, nossa lucidez criadora. Visto
no sentido prático, deixamos de otimizar o tempo. Nos procrastinamos. Forçadamente.
Vale o exercício.
Não pensar duas vezes, mas pensar minimamente com a consciência. O treino aprimora,
cada um no seu tempo, sempre aprimora.
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