quinta-feira, 11 de abril de 2013

NÃO É DEVER, É POSSIBILIDADE

Quantas vezes e em quais circunstâncias conversamos com os nossos idosos? Digo conversar no sentido de mais escutar do que se pronunciar.

Os arquétipos que temos dos idosos certamente vêm sofrendo profundas e negativas mudanças. O idoso que vemos hoje é o manco e moroso sujeito que entra no ônibus e você contrai todos os seus músculos do corpo a fim de criar uma linguagem corporal repulsiva, como se você reunisse todas as suas energias para desvia-lo da sua direção; seja para eticamente ceder o seu assento ou mais dramático ainda, que ele sente-se ao seu lado. O velho que vemos hoje é o sujeito que você insulta mentalmente toda vez que se levanta depois da senha preferencial que já surgiu quatro vezes na frente da sua no painel de chamadas do banco, porque propositalmente, toda vez que roda a porta giratória, é um velho. Ninguém tem saco para velho hoje, e dá para generalizar sim. Mas o idoso resume a sua presença apenas no que se assemelhe ao estorvo?

Eu vos convido a uma experiência digamos que, pouco atípica atualmente; eu proponho a vocês experimentarem sugar a vivência de um idoso, sim, o verbo é esse mesmo, sugar. Será uma tarefa muito tranquila àqueles que jovens ainda, mas em busca de novas possibilidades, diferentes formas de absorver cultura do meio mais visual que nos cerca. As vantagens serão inúmeras, e afirmo que primeiramente o lucro virá para você e consequentemente a esse idoso assistido. E conjeturo, QUE EXPERIÊNCIA GRANDIOSA.

Não importa se hoje você vê esse idoso como um pleno arrogante, malandro, egoísta, ranzinza, entre muitos outros atributos generosamente incorporados, apenas desligue acidentalmente – para ficar livre de remorso e não se culpar como de hábito -  os filtros padronizados que direcionam a nossa atenção à uma considerada boa dicção. E como um estranho no paraíso, atente-se em cada palavra que esse idoso tem a dizer; seja blasfêmia, demagogia, causos, história de infância, comparação dos tempos antigos com os atuais, não importa, apenas ouça atentamente e faça no maior grau possível a leitura dinâmica de todos os gestos, expressões faciais, pestanejares, a dificuldade em falar, a ansiedade em dizer tudo que ele tem a dizer sem se esquecer de nada e aproveitar enquanto o ouvem. Experimentem essa situação, mas com consciência e sempre buscando sintetizar as comparações individuais que fazemos o tempo todo. Atire-se na viagem dessa conversa, pois sim, porque por mais atual que seja o assunto, você estará enxergando pelos olhos de alguém que certamente já provou muito mais do que você imagina que seria possível experimentar, será uma viagem porque você se permitirá olhar diferente do olhar tão condensado que tem sobre tudo, pois nossa visão de fato é, engessamos as nossas perspectivas diante das nossas certezas e essa pode-se dizer sim ser uma real chance de se observar de um degrau diferente, pois se trata de experiência de vida, não experiências acadêmicas ou rotineiras, estamos falando de tempo, o terreno que a vida se estende. Estamos falando do que é mais tangível para nós.

Nesse sentido, fica aqui o meu convite gratuito para um acontecimento gratuito na sua vida, que eu verdadeiramente anseio que se torne vício. Como os vícios que apresentará àqueles que o ouvirão nas próximas décadas. Esse será o meu e seu desejo, certamente será.

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