Quantas vezes
e em quais circunstâncias conversamos com os nossos idosos? Digo conversar no
sentido de mais escutar do que se pronunciar.
Os arquétipos que
temos dos idosos certamente vêm sofrendo profundas e negativas mudanças. O
idoso que vemos hoje é o manco e moroso sujeito que entra no ônibus e você
contrai todos os seus músculos do corpo a fim de criar uma linguagem corporal
repulsiva, como se você reunisse todas as suas energias para desvia-lo da sua
direção; seja para eticamente ceder o seu assento ou mais dramático ainda, que
ele sente-se ao seu lado. O velho que vemos hoje é o sujeito que você insulta
mentalmente toda vez que se levanta depois da senha preferencial que já surgiu
quatro vezes na frente da sua no painel de chamadas do banco, porque
propositalmente, toda vez que roda a porta giratória, é um velho. Ninguém tem
saco para velho hoje, e dá para generalizar sim. Mas o idoso resume a sua presença
apenas no que se assemelhe ao estorvo?
Eu vos convido
a uma experiência digamos que, pouco atípica atualmente; eu proponho a vocês
experimentarem sugar a vivência de um idoso, sim, o verbo é esse mesmo, sugar. Será
uma tarefa muito tranquila àqueles que jovens ainda, mas em busca de novas
possibilidades, diferentes formas de absorver cultura do meio mais visual que
nos cerca. As vantagens serão inúmeras, e afirmo que primeiramente o lucro virá
para você e consequentemente a esse idoso assistido. E conjeturo, QUE
EXPERIÊNCIA GRANDIOSA.
Não importa se
hoje você vê esse idoso como um pleno arrogante, malandro, egoísta, ranzinza, entre
muitos outros atributos generosamente incorporados, apenas desligue
acidentalmente – para ficar livre de remorso e não se culpar como de hábito
- os filtros padronizados que direcionam
a nossa atenção à uma considerada boa dicção. E como um estranho no paraíso,
atente-se em cada palavra que esse idoso tem a dizer; seja blasfêmia,
demagogia, causos, história de infância, comparação dos tempos antigos com os atuais,
não importa, apenas ouça atentamente e faça no maior grau possível a leitura dinâmica
de todos os gestos, expressões faciais, pestanejares, a dificuldade em falar, a
ansiedade em dizer tudo que ele tem a dizer sem se esquecer de nada e
aproveitar enquanto o ouvem. Experimentem essa situação, mas com consciência e
sempre buscando sintetizar as comparações individuais que fazemos o tempo todo.
Atire-se na viagem dessa conversa, pois sim, porque por mais atual que seja o
assunto, você estará enxergando pelos olhos de alguém que certamente já provou
muito mais do que você imagina que seria possível experimentar, será uma viagem
porque você se permitirá olhar diferente do olhar tão condensado que tem sobre
tudo, pois nossa visão de fato é, engessamos as nossas perspectivas diante das
nossas certezas e essa pode-se dizer sim ser uma real chance de se observar de
um degrau diferente, pois se trata de experiência de vida, não experiências acadêmicas
ou rotineiras, estamos falando de tempo, o terreno que a vida se estende.
Estamos falando do que é mais tangível para nós.
Nesse sentido, fica aqui o meu convite gratuito para um acontecimento gratuito na sua vida,
que eu verdadeiramente anseio que se torne vício. Como os vícios que apresentará
àqueles que o ouvirão nas próximas décadas. Esse será o meu e seu desejo,
certamente será.
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